Home Brewing - extraindo café especial em casa
Para
quem ama café especial, há sempre uma magia em preparar um café em diferentes
métodos. O comparativo é o melhor jeito de entender as particularidades e
resultados, facilitando a escolha de acordo com seu gosto, momento... Além
disso, essa prática nos leva a sair um pouco da rotina, já que costumamos usar o
mesmo “jeitinho preferido” de fazer o café todo dia.
Para
desenferrujar nosso domínio em métodos, a reunião de maio da Confraria foi um
workshop “Home Brewing” - extraindo o melhor do café especial em casa, apresentado
e conduzido por Letícia e Andréia, da Momento Café (@momentocafeab).
O
workshop nos relembrou como diferentes métodos de extração influenciam
diretamente o sabor, o corpo e o aroma de um café, usando cinco métodos
possíveis de se fazer em casa: V60, Prensa Francesa, Chemex, Melitta e Moka.
Andréia
introduziu o tema com a reflexão de que o café especial é uma bebida de riqueza
sensorial igual à do vinho, mas que o resultado da bebida não chega pronto em
uma garrafa, depende diretamente das escolhas feitas ao longo do preparo, como
moagem, temperatura da água, tempo de contato e método de extração.
O
workshop explicou os “7 elementos essenciais do café”: proporção entre café e
água, granulometria, tempo de contato, temperatura, turbulência, qualidade da
água e tipo de filtro. Esses fatores trabalham em conjunto para gerar o
equilíbrio da extração e concentração da bebida.
Mostrou,
ainda, como ajustar variáveis importantes do preparo. Algumas dicas: a moagem
influencia a velocidade da extração; temperaturas muito altas podem causar
amargor, enquanto temperaturas baixas geram cafés subextraídos (pobres em
sabor) e mais ácidos (o ideal é entre 92-96°C). A qualidade da água também
recebe atenção especial, já que ela representa cerca de 98% da bebida final.
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Andreia
explicou os mecanismos das extrações de café: filtração gravitacional (drip),
infusão por imersão (steeping), decocção (boiling) e infusão pressurizada
(espresso) e as características sensoriais que produzem na xícara, bem como
tempos ideais de extração para cada método, equipamentos, temperatura etc.
Métodos filtrados, por exemplo, geram cafés mais limpos e aromáticos, enquanto
métodos por imersão produzem bebidas mais encorpadas.
Por
fim, o workshop reforçou a importância do frescor e da conservação correta do
café, recomendando aquilo que sempre falamos por aqui: moer os grãos no momento
do preparo, armazenar o pacote fechado, longe de luz, calor ou umidade, e
consumo dentro do período ideal após a torra.
PRÁTICA:
Para
a prática, selecionamos um café do Âncora Coffee House, cultivado no sítio
Santa Rosa, Andradas-MG (produtor João Naim). Variedade Catuaí, processo
natural, altitude 1.300m, pontuação SCA 85. Um café doce, de acidez leve e
corpo médio. As notas sensoriais descritas são: chocolate ao leite, caramelo,
tâmara, capim cidreira e açúcar mascavo.
A
proporção utilizada, em todos, foi de 1g de café para 15g de água. A
granulometria (ponto da moagem) foi a específica e adequada para cada método. O
café foi preparado, primeiramente, na Hario V60, depois na Prensa Francesa, seguida
pela Chemex, Moka (cafeteira italiana) e Melitta. As 5 bebidas produzidas foram
bem diferentes entre si!
Sobre
os métodos gravitacionais: a V60 trouxe uma bebida limpa, aromática, doce e
suave nos sabores, na acidez e de corpo muito leve. A Chemex, com sua beleza e
elegância, produziu uma bebida igualmente limpa, doce, suave, mas evidenciando
mais a acidez e as notas cítricas do café do que a V60. A Mellita, a mais comum
nas casas brasileira, extraiu uma bebida não tão limpa como as outras duas, mas
também agradável e equilibrada.
A prensa francesa gerou um café mais opaco, com menos acidez, mais corpo e muita doçura, as notas dos sabores ficaram mais evidentes também, o retrogosto mais longo e a bebida mais oleosa e com leve resíduo no fundo da xícara - o que é comum desse método de extração.
Por fim, a Moka trouxe o resultado mais intenso de bebida entre os cinco. As notas de sabor sumiram um pouco, bem como acidez, a bebida ficou mais encorpada e forte: ideal para quem gosta de um “shot” de café mais intenso.









