Café na Bolívia
Nossa primeira reunião de 2026 começou com um tema bastante inesperado Café Boliviano. A questão era: por que fazer uma apresentação sobre café de um país cuja produção não tem qualquer expressão, e nem é referenciado como produtor de cafés especiais? Em resposta, podemos dizer que não é bem assim...
Esse tema nos levou a refletir sobre importância de se
estudar sobre a cultura – hábitos, costumes, história...- antes de se visitar
um país diferente, principalmente se você é apaixonado por café especial. Pode
acabar voltando para casa com um pacote de café na mala para provar em casa e
só aí descobre poderia ter vivido experiências pessoais e sensoriais ímpares.
Bolívia é, hoje, o 38º produtor mundial de café com
exportação representando menos de 1% da produção global, sendo 95% da produção
concentrada no estado de La Paz na região de YUNGAS, área de transição localizada
entre o lado oriental dos Andes e a bacia amazônica, famosa por sua
biodiversidade e agricultura (coca, café, cacau). A maioria da produção de café,
cerca de 80%, é feita por pequenos produtores com propriedades entre 1,2 e 8
hectares, orgânicos, em sistemas agroflorestais com solos vulcânicos ricos em
minerais, altitudes elevadas que variam entre 800m a 2300m sendo algumas
especificas entre 1300 e 1900m, clima subtropical, chuvas regulares e
temperaturas entre 15-24 graus. O solo acidentado e a falta de infraestrutura
tornam a pós-colheita muito difícil. O cafezal é predominantemente da espécie arábica
das variedades Typica ou Criolla, Caturra e Catuaí.
Os cafés da Bolívia são considerados cafés suaves (com baixo
teor de cafeína) e alta pureza. Isto se explica pela altas altitudes, onde os
cafés são menos expostos a pragas. Com menos pressão evolutiva para se defender
dos insetos não precisam aumentar seu teor de cafeína para se defender. Isto
também se aplica aos ácidos clorogênicos que diminuem com a altitudes altas e a
sacarose, ao contrário, que aumenta. Cafés de altitudes (arábicas) tendem a
amadurecer mais lentamente com maior acúmulo de açúcares e sabores mais
complexos, maior acidez, com aromas frutados e florais.
Então ... Sim! A Bolívia
produz cafés especiais! Em 2009 no Cup of Excellence, o melhor grão, pontuou
93,36. As exportações de cafés especiais são principalmente para EUA e Europa.
E o que esperar na xicara? Café doce, limpo, brilhante,
acidez cítrica (maçã pera, damasco, tangerina), notas de chocolate, corpo
cremoso e retrogosto longo.
Uma curiosidade: na Bolívia existe o café DESTILADO que pode
significar o café especial preparado em métodos como V60, Prensa Francesa e
outros, ou uma forma específica de filtragem dos grãos. Como seria isto? O café
torrado com açúcar, torra média escura, preparado em filtro de metal em uma
concentração muito alta da bebida e tempo de infusão longo (15min). O resultado
é uma bebida densa que é diluída em água quente na xícara, numa proporção que
agrade o paladar individualmente. Seria como um café concentrado a ser
misturado com a água na hora de ser consumido.
A experiencia na Bolívia foi vivida pela Confreira Ana maria, que trouxe para esta reunião um pacote dos grãos bolivianos para a prova. Sim, experimentamos o café boliviano!
COROICAFÉ, produzido em Coroico-região de
YUNGAS, altitude de 1700m, arábica, processo natural, torra média, moagem
média, método Prensa Francesa. Aroma intenso, acidez média, sabor de frutas
cítricas e chocolate.
Para completar a tarde de verão, as confreiras Terezinha e
Marilia providenciaram mousse de maracujá, bolo de chocolate, esfirras e
empadinhas, que foram harmonizados com um café bem brasileiro do Sul de Minas :
um Arara produzido por Dulce Franco.
Todas de branco para saudar o ano novo! Uma mesa linda
decorada com violetas e muitos mimos – velas perfumadas oferecidas pela Confreira
Gizela, uma impressão da Roda dos Sabores e minicalendários presenteados pelo
Batom na Xicara- para dar início ao novo ano de estudos deste grupo.





