Café e sustentabilidade


 “Você já pensou em como o café que você toma pode impactar o planeta e a vida de outras pessoas?”  Com esse questionamento, Bruna Souza – especialista em café, do Programa Momento Café – iniciou a reunião de maio.

O tema Desenvolvimento Sustentável na produção de café é, talvez, um dos assuntos mais sérios e mais polêmicos já tratados aqui até então. A seriedade começa a partir do ponto em que o conceito de sustentabilidade seja compreendido, assimilado e praticado no contexto das lavouras, com cuidado e responsabilidade.

Do produtor ao consumidor final, é importante que toda a cadeia tenha em mente que os benefícios de uma simples xicara de café pode causar impactos não tão bons a vida do planeta. Entretanto, a boa notícia é que políticas universais, acordos entre países e um interminável trabalho de conscientização das pessoas, está em vigor há algumas décadas. Afinal, foi preciso compreender que recursos naturais não são infinitos, e a exploração dos mesmos precisa ser programada a fim de preservá-los e evitar seu esgotamento total.

A vida moderna trouxe hábitos de consumo de itens industrializados, automatizados, acompanhados do slogan ‘facilitar a vida de todos’. Com ela, o preço caro do acúmulo de lixo graças ao excesso de embalagens, aparelhos obsoletos sem conserto, poluição das fontes de água, degradação do solo, do ar, entre outros problemas para a vida no planeta.

Em 1987, uma comissão criada pela ONU – da qual participava a primeira-ministra da Noruega, Gro Harlem Brundtland – Comissão Brundtland, publicou o relatório “Nosso Futuro Comum” apresentando o conceito de desenvolvimento sustentável para o discurso público. Vale lembrar que estas discussões tiveram início em décadas anteriores, como a obra de outra mulher: ‘Primavera Silenciosa’ de Rachel Carson, entre outras.

Em linhas gerais, desenvolvimento sustentável é aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras. Para tanto, é preciso manter em equilíbrio o tripé:  Social – qualidade de vida da população, Econômico – redução de desperdícios, eficiência econômica... e Ambiental – preservação do meio ambiente.

A partir daí, o mundo se organiza, e cada contexto cultural sai em busca de soluções possíveis para atender a nova agenda, entre elas, práticas para uma agricultura sustentável, reconhecida como modelo para equilibrar produção, meio ambiente e justiça social.

O Brasil é o país com a legislação mais exigente neste sentido e a criatividade brasileira mostra, no campo, exemplos eficientes de práticas agrícolas, especialmente nas lavouras de café.

A fim de fazer valer as leis, os acordos mundiais e incentivar o desenvolvimento sustentável, certificações também foram criadas, não apenas para fiscalizar, mas conscientizar, orientar e agregar valor ao trabalho do produtor.  Uma delas, fundada pelo governo de Minas Gerais em 2007 é a ‘Certifica Minas: Qualidade e Sustentabilidade Agrícola’, cujo foco é o incentivo às boas práticas e segurança na produção agrícola, além de elevar a qualidade e a sustentabilidade dos produtos mineiros.

O tema desta reunião e a dinâmica proposta pelas tutoras incentivou a participação intensa das confreiras, sobretudo das produtoras, que puderam compartilhar suas práticas, limitações e necessidades, além da calorosa reflexão e discussão sobre aspectos incoerentes e/ou utópicos exigidos nas leis.  

Para terminar, Bruna desafiou as confreiras com algumas situações problemas na lavoura e no consumo, propondo soluções possíveis, como o que fazer na fazenda quanto ao uso excessivo de água e químicos, o consumo energético elevado e geração de resíduos (casca, fumaça, embalagens) produzidos nas torrefações e ainda, o uso de copos descartáveis, descarte de borra de café, consumo de energia e água, nas cafeterias.

Tivemos três momentos de café. O primeira, trazido pela confreira Monica Frison de sua última viagem de férias, um Kopi Luwak, originário de Bali. O Kopi Luwak, também conhecido como café civeta, produzido a partir de grãos de café parcialmente digeridos por civetas asiáticas, pequenas criaturas que lembram uma raposinha, que se alimentam de cerejas de café maduras e, em seguida, excretam os grãos que foram parcialmente digeridos. Um café exótico que causou certa controvérsia entre as confreiras sobre a apreciação da bebida.

Depois, um drink com gelo de café – na linha do reaproveitamento – creme preparado com café solúvel e açúcar e leite, preparado por Andreia, parceira de trabalho de Bruna.

Para celebrar os aniversários do mês de Monica e Neusa, as confreiras Gizela e Maria do Socorro organizaram um lanche com salgadinhos de queijo, de calabresa e de goiaba, além de broinhas de fubá, para acompanhar, um catuaí vermelho,  Sítio São Benedito -Andradas, MG - Região Vulcânica - Café Lozano. Sensorial: mel, açúcar mascavo e avelã tostada

                    

Este foi o terceiro tema do programa desenvolvido pelo Momento Café especialmente organizado para a Confraria. Estamos muito satisfeitas com a destreza das tutoras e a riqueza dos conteúdos.

Em junho, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre fermentação de café.

Receitinhas

Creme de café:

Bata na batedeira até formar um creme:

·    
    
50 g de café solúvel

·         100 g de açúcar (pode utilizar o pacotinho do café como medidor)

·         200 ml de água quente 

Gelo de café:

Nunca jogue café fora. Sempre que houver sobras do seu café especial, coloque-os em forminhas e leve para o congelador. Use para drinks.

 

 

Mensagens populares deste blogue

Análise Sensorial com Foco na Acidez do Café

Fomos conhecer a Fazenda Santa Alina

Café na Bolívia